A atividade industrial da China permaneceu praticamente estacionária em maio, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) divulgados no domingo (31). O PMI industrial caiu para 50,0 em maio, ante 50,3 em abril — nível que ainda indica expansão marginal, mas sinaliza perda de ímpeto após dois meses de avanço.

Ao mesmo tempo, o PMI composto subiu para 50,5 e o índice de serviços passou de 49,4 em abril para 50,1 em maio, entrando em território de expansão. O quadro, porém, é misto: o crescimento dos gastos dos consumidores desacelerou para o ritmo mais fraco desde 2022 em abril, e produção industrial, investimento e o setor imobiliário seguem deteriorando-se, ficando abaixo das expectativas de economistas.

Analistas citados pelos dados apontam que o choque nos custos de energia, ampliado pelo conflito no Oriente Médio, exerce pressão adicional sobre a recuperação desigual da segunda maior economia do mundo. Apesar disso, muitos economistas consideram improvável que Pequim anuncie estímulos no curto prazo, em parte porque o desempenho melhor do que o esperado no primeiro trimestre e a resiliência das exportações reduziram a margem política para intervenções imediatas.

Do ponto de vista internacional, a combinação de crescimento frágil do consumo interno e custos energéticos mais altos complica a narrativa de recuperação chinesa e pode exercer efeito negativo sobre a demanda por commodities, com impacto direto em economias exportadoras. Para investidores e formuladores de política, o cenário reforça a necessidade de acompanhar sinais de persistência da fraqueza doméstica e eventuais mudanças na estratégia econômica de Pequim.