A atividade manufatureira dos Estados Unidos teve variação marginal em setembro: o PMI do ISM recuou a 54,5, ante 54,6 em agosto, abaixo da expectativa mediana de economistas por uma alta a 55,0. O indicador segue acima do limiar de 50, sinalizando expansão do setor, que responde por cerca de 9,4% da economia americana.
Diante desse recorte moderado, dois sinais chamam atenção: o índice de novos pedidos subiu para 55,3, o que mostra demanda ainda sólida, e o indicador de preços pagos saltou de 71,1 para 77,9. O avanço nos custos dos insumos revela pressão inflacionária na porta da fábrica e reduz espaço de manobra para afrouxamentos de política monetária.
A expansão de investimentos ligados à infraestrutura de inteligência artificial e a estratégia de recomposição de estoques sustentam boa parte do desempenho. Porém, o relatório também destaca riscos — incluindo os impactos nas cadeias de oferta e o aumento dos preços de energia após o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã — que podem elevar custos e criar segmentos vulneráveis no curto prazo.
O resultado reforça a leitura de que a inflação ainda não arredou o pé, cenário que já levou o Fed a subir juros em 25 pontos-base para a faixa de 3,75%–4,00% em setembro e a sinalizar novas altas. Para empresas e mercados, o salto nos preços dos insumos acende alerta: custos mais altos e financiamento mais caro devem complicar a dinâmica de crescimento nos próximos meses.