Pesquisa PoderData divulgada nesta sexta-feira ouviu 2.500 eleitores entre 18 e 20 de julho e aponta que 52% dos entrevistados veem como mais vantajoso estreitar relações comerciais com a China, contra 35% que preferem maior aproximação com os Estados Unidos; 13% não responderam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança.

O levantamento chega em um momento de atrito com Washington. Nas últimas semanas os EUA aplicaram uma tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros, resultante de investigação sobre práticas comerciais, e o USTR confirmou uma nova rodada de alíquotas que atinge 60 países — o Brasil foi colocado entre os que sofreram a tarifa mais elevada. O episódio provocou reação dura do Planalto, que anunciou uso da Lei de Reciprocidade.

Os números revelam um componente pragmático na opinião pública: diante do choque tarifário, a preferência por estreitar laços com a China pode refletir a prioridade dos eleitores por mercados que ofereçam resultados econômicos imediatos para exportadores e cadeias produtivas. Para o governo, o dado amplia pressão para defender setores do agronegócio e da indústria sem perder espaço em parceiros estratégicos.

Politicamente, a pesquisa acende um sinal de alerta sobre a necessidade de clareza na estratégia comercial. A preferência por Pequim não elimina custos diplomáticos: o Executivo terá que administrar tensão com os EUA, buscar remédios comerciais efetivos e acelerar diversificação de mercados. O risco é que a resposta insuficiente a essa equação tenha custo econômico e repercussão política em curto prazo.