A Polônia anunciou que apresentará uma queixa ao Tribunal de Justiça da União Europeia contra o acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul. O anúncio foi feito pelo vice‑primeiro‑ministro Wladyslaw Kosiniak‑Kamysz, que afirmou haver risco à segurança alimentar, à proteção do consumidor e ao mercado interno; Varsóvia tem até 26 de maio para formalizar a ação.
Junto com a França, a Polônia vinha figurando entre os opositores mais firmes do acordo, argumentando que a abertura pode inundar o mercado europeu com carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais. Defensores do texto destacam que o acordo amplia acesso para fabricantes e exportadores europeus, mas a controvérsia deixou claro o conflito entre interesses industriais e agrícolas.
A iniciativa judicial soma‑se ao encaminhamento do caso pelo Parlamento Europeu ao Tribunal, em votação ocorrida em janeiro, e chega em momento de aplicação provisória — anunciada pela Comissão Europeia para 1º de maio. O passo legal tende a prolongar a incerteza jurídica e política, adiando efeitos plenos do acordo e criando riscos imediatos para cadeias de suprimento e contratos comerciais do lado do Mercosul.
Politicamente, a queixa expõe a fragilidade do consenso em Bruxelas e acende alerta para governos do Mercosul que já investiram em expectativa de acesso ampliado ao mercado europeu. O tribunal pode validar, alterar ou barrar partes do acordo; enquanto isso, produtores emblemáticos e negociadores terão que conviver com um cenário de maior volatilidade e pressão regulatória nas próximas semanas.