A busca por proteção patrimonial diante de incertezas globais e do chamado “risco-Brasil” reacende o interesse pela dolarização de ativos. No quadro Papo de Investidor, da Resenha do Dinheiro, Thiago Godoy e convidados destacaram que investir em dólar vai além da compra física da moeda: trata‑se de obter exposição à economia americana ou à variação cambial por meio de instrumentos financeiros.
Pela praticidade, a alternativa mais acessível ao investidor brasileiro são os ETFs internacionais negociados na B3. Um único ETF já oferece exposição a dezenas ou centenas de empresas estrangeiras, replicando índices como o S&P 500 e permitindo operação pela corretora como se fosse uma ação local — menor complexidade operacional, porém sujeito a custos de administração e variação do índice.
Outra via é contratar fundos de investimento internacional, em que um gestor profissional seleciona ativos e decide a alocação. A vantagem é delegar a seleção ao gestor; a desvantagem são taxas e o risco de desempenho inferior. A terceira opção é abrir conta no exterior: maior liberdade — compra direta de ações, ETFs ou títulos americanos — mas exige mais conhecimento sobre câmbio, custos de transferência e regras fiscais.
Além de fundos cambiais e ativos atrelados ao dólar, há um alerta prático: tentar cronometrar o câmbio costuma custar caro. A recomendação consensual é encarar a dolarização como estratégia de proteção e diversificação no longo prazo. Politicamente e economicamente, a migração de capitais para ativos em dólar reflete falta de confiança e aumenta a pressão por responsabilidade fiscal e reformas que preservem o poder de compra dos brasileiros.