Um novo levantamento da CNDL em parceria com o SPC Brasil desenha um cenário preocupante: 86% dos que entraram para os cadastros de restrição em fevereiro não são rostos novos. O Indicador Reincidência das Pessoas Físicas mostra que 68,2% carregavam pendências anteriores, enquanto apenas 13,6% eram 'estreantes'.

O dado que mais chama atenção é a velocidade do retorno à negativação: a média entre uma inscrição e outra é de 73 dias. Além disso, 18,2% dos negativados haviam saído da lista no último ano, o que traduz recuperação efêmera e fragilidade do orçamento doméstico diante de juros e do custo de vida.

A reincidência concentra-se na população produtiva: 30 a 39 anos respondem por 26,58% dos registros e a média do reincidente é 42,9 anos. Há também predominância feminina — 56,42% — reflexo da maior participação das mulheres na chefia de família e da menor folga orçamentária para absorver choques.

Para especialistas, trata‑se de um ciclo estrutural, não de episódios isolados. A repetição de negativação reduz poder de compra, pressiona receita do varejo e torna o crédito menos eficiente como motor de crescimento. O diagnóstico aponta para necessidade de medidas que vão além do pagamento pontual de dívidas — educação financeira, redes de proteção e políticas que atuem sobre renda e custo de crédito.