A Porto Seguro vem redesenhando seu portfólio diante do aumento de eventos climáticos extremos, afirmou a CEO Patrícia Chacon. A empresa reforça mecanismos financeiros, como o resseguro, para ampliar capacidade de resposta a grandes catástrofes, enquanto institutos climáticos sinalizam maior probabilidade de um El Niño intenso este ano. Chacon lembrou que, em 2025, eventos climáticos causaram 296 bilhões de dólares em prejuízos globais, cenário que exige adaptação do mercado segurador.

A estratégia da seguradora se assenta em três frentes: desenvolver soluções que protejam patrimônio de clientes, preparar equipes para atendimento rápido após sinistros e intensificar ações de prevenção com uso de dados para identificar áreas de maior risco. Recentemente a Porto firmou parceria com a Prefeitura de São Paulo e o CINDSEG para criar uma ferramenta que mapeia vulnerabilidades e simula impactos de obras de drenagem e piscinões.

Os números expõem a dimensão do desafio: apenas um em cada três veículos tem seguro e menos de uma em cada cinco residências está coberta, segundo a executiva. Ainda assim, apenas cerca de 5% dos clientes contratam proteção específica contra alagamentos. A Porto informa atender mais de um milhão de clientes nos ramos residencial e empresarial e mais de quatro milhões no segmento de automóveis.

No plano comercial, a procura por coberturas vinculadas a enchentes tem crescido: no primeiro trimestre a companhia registrou aumento de 6% nas receitas com seguros, impulsionado pela expansão dessas contratações. Paralelamente, a empresa participa, com CNSEG e Susep, da elaboração de uma proposta regulatória para viabilizar um seguro nacional contra catástrofes, visando ampliar o acesso à proteção securitária.

O quadro combina oportunidade de mercado e risco sistêmico. A baixa penetração de seguros deixa famílias e empresas vulneráveis e transfere custos ao setor público após desastres — como foi visto no Rio Grande do Sul e, mais recentemente, em Minas Gerais. Para além do crescimento comercial, a expansão efetiva da proteção dependerá de regulação, incentivos e políticas públicas que reduzam a assimetria entre risco crescente e cobertura disponível.