O Brasil alcançou 60,6 milhões de pessoas investidoras em 2025, o equivalente a 36% da população, segundo o Raio X do Investidor Brasileiro (Anbima/Datafolha). Apesar do crescimento no número de investidores e de maior conhecimento sobre produtos financeiros, a caderneta de poupança segue sendo o ativo mais utilizado, concentrando 22% das aplicações.
A manutenção da poupança como referência revela um perfil ainda conservador entre muitos brasileiros e possivelmente barreiras ao acesso a alternativas mais produtivas. O quadro apresentado no programa Resenha do Dinheiro, que reúne especialistas do mercado, mostra avanço na diversificação entre quem já aplica, mas também ressalta um ritmo cauteloso na migração para investimentos de maior rendimento.
No entanto, o principal sinal de alerta vem do lado do passivo: o Banco Central informou que a taxa do rotativo do cartão alcançou 436% ao ano e o endividamento das famílias subiu para 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série. O uso recorrente de crédito tão oneroso tende a corroer orçamentos e a dificultar a acumulação de patrimônio, especialmente para quem ainda depende de poupança e de reservas apertadas.
No cenário externo, relatório da JP Morgan projeta preço do petróleo próximo de US$ 60 o barril em 2026, o que, segundo analistas, pode manter pressão inflacionária em razão de gargalos como o Estreito de Ormuz. Esse contexto complica o trabalho dos bancos centrais e aumenta a probabilidade de um ciclo de juros mais longo — um fator que agrava o custo do crédito no Brasil.
A combinação de baixa remuneração real da poupança, crédito extremamente caro e elevação do endividamento cria um ambiente que exige respostas de política econômica: mais educação financeira, ampliação do acesso a investimentos de baixo custo e atenção à regulação do crédito. Sem mudanças, o panorama limita o consumo sustentável e aumenta o risco de maior vulnerabilidade das famílias diante de choques.