O Banco Central informou que o volume de saques líquidos da caderneta de poupança caiu em abril, atingindo R$ 476,445 milhões — o menor patamar mensal desde agosto de 2024, quando havia sido de R$ 398,049 milhões. Apesar da redução, abril marcou o quarto mês consecutivo de retiradas líquidas nas contas tradicionais.

No consolidado do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) houve saldo positivo de R$ 498,951 milhões em abril, o primeiro mês no azul desde dezembro. Em contrapartida, a chamada poupança rural registrou saques líquidos de R$ 975,396 milhões, pressionando o resultado agregado e revelando que parcela das famílias e produtores ainda recorre a reservas.

A leitura econômica é dupla: a queda nos saques pode indicar alguma estabilização na preferência por liquidez ou migração menor para aplicações alternativas, mas a sequência de retiradas mostra que a recuperação das reservas é lenta. Com a Selic em 14,5% ao ano, a remuneração da caderneta segue sendo TR mais 0,5% ao mês enquanto a taxa básica permanecer acima de 8,5%.

Do ponto de vista das políticas públicas e do mercado, os números fornecem sinal ambíguo. Para o governo e para bancos, o retorno do SBPE ao azul aliviana tensões de liquidez, mas a persistência de saques — especialmente na área rural — acende dúvidas sobre a capacidade de retomada consistente do consumo das famílias e pode repercutir na demanda por crédito nos próximos meses. A trajetória nos próximos relatórios dirá se abril foi anomalia ou início de uma tendência de estabilização.