O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, declarou nesta quarta-feira (29) que não é o único responsável por manifestar inquietação diante dos ataques contínuos do Poder Executivo à autonomia do banco central. Ele afirmou que existe uma preocupação ampla entre autoridades do Fed de que as pressões possam persistir.

Na mesma reunião em que o banco central manteve a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%, Powell confirmou que deixará o cargo de chair no mês seguinte, mas que permanecerá como membro do Conselho de Governadores até 2028. Para ele, a independência do Fed significa a capacidade de deixar de lado considerações políticas ao conduzir a política monetária.

A preocupação ganhou ainda mais destaque depois do arquivamento de uma investigação criminal conduzida pela procuradora de Washington, Jeanine Pirro, sobre reformas na sede do Fed. A investigação foi encerrada, mas Pirro informou que poderia reabri‑la; Powell tinha criticado o caso em janeiro como politizado, o que alimentou temores de tentativas do governo Trump de influenciar decisões do banco central.

Do ponto de vista institucional e econômico, o conjunto de episódios acende um sinal de alerta: pressões externas corroem a percepção de independência necessária para ancorar expectativas e tomar decisões técnicas. Mesmo sem afirmar efeitos imediatos, autoridades e mercados monitoram a situação, porque desgaste político sobre o Fed pode complicar sua capacidade de agir com foco na estabilidade de preços e na credibilidade a longo prazo.