Jerome Powell afirmou nesta quarta-feira que confia na palavra de Kevin Warsh e que espera que o Federal Reserve continue a tomar decisões com base em análises técnicas, não em pressões políticas. As declarações foram feitas após o Comitê Federal de Mercado Aberto anunciar a manutenção da taxa básica entre 3,5% e 3,75%, com destaque para os efeitos no horizonte trazidos pela escalada da guerra no Oriente Médio.
O chair confirmou que deixará a presidência do Fed no próximo mês, mas permanecerá no Conselho de Governadores até 2028. Powell também parabenizou Warsh pela aprovação no Comitê Bancário do Senado, etapa que leva o nome do indicado ao plenário para votação. No evento, ressaltou que a instituição sofreu “ataques legais” e lembrou a resistência enfrentada internamente para preservar procedimentos e normas.
A investigação conduzida pela procuradora Jeanine Pirro sobre reformas na sede do Fed foi encerrada na semana passada, segundo anúncio oficial, embora Powell tenha citado que Pirro não descartou reabrir o caso. O episódio, aberto depois de meses de críticas públicas do presidente Donald Trump ao Fed, foi amplamente interpretado como forma de pressão política para cortes de juros — um contexto que, nas palavras do próprio Powell, testa a autonomia do banco central.
Do ponto de vista político e econômico, a tramitação da indicação de Warsh acende alerta sobre a percepção de independência da instituição. A confirmação no plenário do Senado será um termômetro político: reforça a capacidade do Executivo de moldar o Conselho ou, caso enfrente resistência, evidencia limites institucionais. Para o mercado e para a credibilidade da política monetária, a disputa é relevante porque qualquer sinal de politização tende a aumentar a sensibilidade a decisões futuras.