O Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, e o presidente Jerome Powell reforçou que, embora "ninguém esteja pedindo um aumento de juros neste momento", isso não fecha a porta para futuros ajustes. Segundo Powell, a taxa está em um nível adequado, mas o banco central continuará com todas as opções disponíveis, sinalizando disposição para agir conforme os dados econômicos evoluam.

A coletiva teve ainda tom de transição: Powell confirmou que deixará o cargo de chair no mês que vem, mas que permanecerá no Conselho de Governadores até 2028. A indicação do provável sucessor, Kevin Warsh, recebeu aval do Comitê Bancário do Senado e segue agora para votação no plenário, em mais um passo que pode definir a direção da política monetária nos próximos anos.

O episódio político ganhou contornos adicionais depois que a procuradora do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, anunciou o arquivamento de uma investigação sobre reformas na sede do Fed, mantendo porém a possibilidade de reabertura do caso. A menção à investigação adiciona um elemento de incerteza política à transição, mesmo que, por ora, não tenha implicado em medidas formais contra Powell.

Do ponto de vista econômico, a declaração do Fed mantém mercados e bancos centrais globais em alerta: a mensagem de que "todas as opções estão abertas" reduz previsibilidade e pode influenciar custos de financiamento e fluxos para economias emergentes. No Brasil, a postura do Fed é fator relevante para decisões de política monetária e para calibrar risco cambial e de taxa de juros doméstica.