Jerome Powell confirmou que deixará a presidência do Federal Reserve em 15 de maio, mas informou que pretende manter seu mandato como membro do Conselho de Governadores até 2028. A declaração foi dada na coletiva em que o banco central dos EUA decidiu manter a meta para os juros entre 3,5% e 3,75%. A continuidade de Powell no Conselho é um gesto incomum — o primeiro caso desse tipo desde Marriner Eccles, em 1948 — e tem forte carga institucional.
Powell justificou a decisão citando uma sequência de ataques legais que, segundo ele, ameaçam a capacidade do Fed de conduzir a política monetária sem interferência política. Na semana passada, a procuradora do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, encerrou uma investigação criminal sobre reformas na sede do Fed, mas deixou em aberto a possibilidade de reabertura, fato apontado pelo próprio presidente em sua explicação pública.
Na mesma sessão, Powell elogiou a aprovação de Kevin Warsh no Comitê Bancário do Senado, um passo que o aproxima da presidência do Fed caso seja confirmado. O próprio Powell disse que adotará um perfil discreto como governador e que as decisões futuras da liderança ficarão a cargo de quem assumir oficialmente a presidência, caso de Warsh se confirmado.
A decisão tem implicações políticas e institucionais claras: ao permanecer no Conselho, Powell busca garantir transparência sobre a investigação e preservar ruídos que podem comprometer a condução da política monetária. Ao mesmo tempo, o episódio reforça a percepção de tensão entre o Judiciário, atores políticos e o banco central — uma fonte de instabilidade que pode complicar a comunicação do Fed e semear dúvidas sobre sua autonomia em momentos sensíveis para a economia.