O custo dos alimentos aparece como o principal fator de pressão no bolso do eleitor: 44,2% indicam que o aumento dos preços compromete o orçamento familiar, aponta pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta. O dado revela que, mesmo com arrefecimento da inflação em níveis agregados, a alimentação segue sendo um item que golpeia com mais força as famílias de menor renda, transformando uma questão econômica em variável política relevante.
Endividamento e juros ocupam o segundo lugar entre as preocupações, citado por 25% dos entrevistados — percentual menor que os 33,5% registrados em abril — e as contas básicas aparecem em terceiro, com 32,1%. Houve melhora em alguns indicadores: a parcela que não conseguiu fechar o mês caiu de 40,2% para 34%, enquanto a proporção que conseguiu poupar subiu de 31,5% para 36%. Ainda assim, somando os que ficaram no negativo com os que apenas zeraram as contas chega-se a 64% dos entrevistados em situação financeira precária.
Para a analista citada no estudo, a combinação entre alimentação pesada no orçamento e fragilidade para poupar aponta para insegurança financeira que dificulta qualquer expectativa de melhoria da renda. Do ponto de vista político, esses números não são apenas estatística: traduzem sensação concreta de falta de capacidade de mudança na vida cotidiana, elemento que pode influenciar avaliação de governo e decisões de voto, especialmente em um período pré-eleitoral.
A pesquisa funciona como um retrato do momento, não como previsão, mas acende alerta sobre custo político de problemas econômicos que ainda não foram resolvidos na percepção popular. A redução da inflação e dos juros explica parte da recuperação, mas a persistência do problema alimentar e a alta parcela de famílias sem sobra ao final do mês ampliam o desgaste para quem ocupar o Executivo. Para a oposição, os dados representam oportunidade para explorar frustrações; para o governo, a necessidade de respostas concretas e visíveis antes que a questão vire fator decisivo nas urnas.