Os preços do petróleo voltaram a disparar nesta segunda-feira, com contratos físicos na Europa negociados perto de US$ 150 por barril. O benchmark Brent para junho subiu cerca de 6% nos contratos futuros, ficando acima de US$ 100 por barril, enquanto o petróleo Forties do Mar do Norte registrou cotação à vista de US$ 148,87, segundo dados da LSEG — acima do pico de 2008, quando o Brent atingiu US$ 147.
O movimento foi puxado pelo anúncio de que a Marinha dos EUA se prepara para barrar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, medida que pode restringir as exportações iranianas diante da ausência de um acordo entre Washington e Teerã para encerrar a guerra. O fechamento efetivo do corredor marítimo levou compradores europeus e asiáticos a correrem para garantir cargas, criando um prêmio substancial entre preços à vista e cotações financeiras.
O descompasso entre mercado físico e futuro expõe um aperto de oferta que tende a repercutir rápido na economia real. Preços mais altos do petróleo pressionam a inflação energética e o custo dos combustíveis, forçando governos a optar entre absorver parte do impacto via subsídios ou permitir repasses aos consumidores — escolhas que têm custo político e fiscal. Para países importadores, a alta amplia a vulnerabilidade externa e complica o balanço de riscos macroeconômicos.
No curto prazo, a principal variável que determina o rumo dos preços é geopolítica: sem solução diplomática para a tensão no Golfo, o mercado deve permanecer volátil, com prêmio físico elevado e maior risco de repasses à inflação. A situação força autoridades e agentes econômicos a recalibrar previsões e estratégias, enquanto operadores monitoram a extensão e duração de qualquer restrição ao fluxo de petróleo.