Os preços do petróleo avançaram nesta segunda-feira com investidores recalculando riscos em um cenário geopolítico mais carregado. Por volta das 8h40 (horário de Brasília), o barril Brent, referência internacional, foi cotado em torno de US$106, alta próxima de 1,2%. O WTI, padrão americano, também subiu cerca de 1,2%, ficando na faixa dos US$93 por barril. O movimento reflete uma combinação de notícias políticas e operacionais que aumentam o prêmio de risco no mercado de energia.
No centro das atenções está a tensão renovada entre Rússia e Ucrânia e declarações do ex-presidente Donald Trump sobre um suposto "cessar-fogo energético" entre as partes — afirmativa que não foi corroborada por Kiev, que acusou Moscou de violar o acordo após ataques contra infraestrutura elétrica em Kharkiv. Em paralelo, a administração norte-americana anunciou compra emergencial de diesel de fornecedores russos, com entrega imediata prevista de mais de 300 mil toneladas e promessa de volumes adicionais dependendo da capacidade de refino. Operadores dizem que, embora a oferta adicional atenue parte da pressão, a incerteza sobre cumprimento e logística limita o efeito sobre os preços.
A escalada no Oriente Médio impede um alívio mais consistente. Rebeldes houthis no Iêmen retomaram ataques contra a Arábia Saudita, com impacto humano — pelo menos 12 mortos e mais de 300 feridos segundo autoridades sauditas — e riscos para rotas e infraestrutura. O ministro da Energia da Arábia Saudita advertiu que a resposta ao aumento das agressões deve ser "igualmente séria", o que alimenta temores de retaliações ou expansão do conflito. Em conjunto, esses fatores empurraram o Brent para sustentar-se acima da barreira psicológica de US$100.
Do ponto de vista econômico, o salto nos preços do óleo tende a repercutir em curvas de inflação e custos de combustíveis, pressionando consumidores e orçamentos públicos. Governos e bancos centrais seguem expostos: a alta energia reaviva riscos para a inflação e pode complicar agendas de ajuste fiscal ao mesmo tempo em que exige respostas imediatas para amortecer impacto social. Para os mercados, o quadro atual é um retrato momentâneo — sensível a novos combates, acertos diplomáticos ou movimentos logísticos nas cadeias de combustível — e reforça a necessidade de monitoramento por parte de autoridades e investidores.