Os preços do petróleo subiram com força nesta segunda-feira (1º) após nova escalada nos confrontos envolvendo EUA e Irã e a ordem de Israel para avanço de tropas no Líbano. Em Nova York, o WTI para julho fechou a US$92,16, alta de 5,49%; em Londres, o Brent para agosto terminou a US$94,98, ganho de 4,24%. Ainda que ambos os contratos tenham recuado cerca de 17% em maio, a recente piora geopolítica revertem parte desse movimento.

O cenário político foi determinante: o Irã informou à agência semioficial Tasnim que suspendeu negociações com os EUA em protesto contra ações israelenses no Líbano, enquanto a administração americana afirma que o diálogo segue em ritmo acelerado. Analistas do mercado destacam que a combinação de ataques e a presença de minas no Estreito de Ormuz — rota vital para petróleo e gás — elevam o risco de interrupções físicas no fornecimento.

Do lado da demanda, números da China apontando estagnação da atividade fabril e a avaliação do Goldman Sachs sobre risco de queda nas previsões para Brent e WTI pressionam o quadro. Ao mesmo tempo, medidas da oferta, como a provável redução das OSPs da Arábia Saudita para a Ásia, criam um jogo de pesos: dados econômicos fracos limitam ganhos, mas temores de oferta sustentam os preços.

Para o Brasil, a combinação representa um sinal de alerta. A alta do petróleo tende a pressionar preços de combustíveis no mercado doméstico e, por via indireta, ampliar riscos inflacionários que complicam metas do Banco Central e as contas públicas. Em um cenário de incerteza externa, a agenda fiscal e a estratégia monetária precisam ser acompanhadas de perto, pois choques de energia têm impacto real no bolso do cidadão e na credibilidade das políticas econômicas.