Um levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos da FAC‑SP mostra que o prato feito ficou mais caro: a média nacional subiu para R$ 31,90 em junho, ante R$ 30,27 em março (alta de 5,4%) e R$ 29,77 em janeiro (7,15%). O indicador evidencia que a refeição básica tornou‑se mais onerosa para o dia a dia do consumidor.
A pesquisa também revela forte variação regional: o Sul lidera o ranking com R$ 34,90, seguido pelo Centro‑Oeste (R$ 34,45), Sudeste (R$ 31,99), Nordeste (R$ 30,00) e Norte (R$ 29,99). Segundo os responsáveis pelo índice, o preço incorpora não só alimentos, mas aluguel, energia, mão de obra, tributos e margem do estabelecimento.
O resultado chama atenção porque ocorre em um cenário em que o IPCA registrou apenas 0,16% em junho e houve a primeira deflação no grupo de alimentação desde novembro. Em outras palavras: a queda média dos preços alimentares não se traduziu automaticamente em alívio ao consumidor na ponta, diante do acúmulo de custos operacionais e do repasse parcial desses encargos.
Para além do curto prazo, há riscos que podem reverter qualquer conforto: a NOAA elevou a probabilidade de um El Niño muito forte, potencial fonte de volatilidade para safras e insumos. No campo político e econômico, a subida do prato feito reforça pressão sobre renda disponível e complica a narrativa de uma inflação doméstica mais branda, exigindo monitoramento das cadeias de custo e políticas de proteção para os mais vulneráveis.