O Escritório Federal de Estatística da Alemanha (Destatis) informou que os preços ao produtor de produtos industriais avançaram 2,5% em março na comparação com fevereiro — a maior alta mensal desde agosto de 2022, quando a variação foi de 5,4%. No confronto anual, porém, o índice apresentou queda de 0,2% em março de 2026.
O comportamento contraditório entre a leitura mensal e a anual deve-se, em grande medida, à energia. Segundo o Destatis, os preços da energia recuaram 3,2% frente ao mesmo mês do ano anterior, mas subiram 7,5% em relação a fevereiro — a maior alta mensal desde agosto de 2022 (14,3%). O conflito no Irã e no Oriente Médio refletiu-se especialmente no aumento dos preços dos derivados de petróleo e na volatilidade dos preços energéticos.
Do ponto de vista econômico, o salto mensal expõe riscos de curto prazo para custos industriais. Um aumento abrupto dos preços de insumos energéticos pode pressionar margens das empresas e — dependendo da duração — favorecer repasses à inflação de consumo. Para formuladores de política monetária na zona do euro, leituras desse tipo complicam a avaliação sobre persistência das pressões inflacionárias e o calendário de decisões.
A foto atual é de uma oscilação induzida por fatores externos: a queda anual mostra que, em termos mais amplos, o cenário não está uniformemente inflacionário, mas a escalada mensal acende um alerta para mercados e governos. A evolução dos preços de energia nos próximos meses será crucial para definir se a alta se mantém e qual será seu impacto sobre a atividade e sobre a trajetória da inflação na Europa.