O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou alta de 2,37% em março, revertendo a queda de 0,16% em fevereiro, informou o IBGE. Apesar do movimento mensal, o acumulado em 12 meses segue negativo (-1,54%), mas trata-se da menor taxa de deflação desde setembro de 2025, sinalizando uma reversão de tendência.

O resultado foi puxado sobretudo pela indústria extrativa, que teve alta de 18,65% — a maior desde fevereiro de 2021 — e contribuiu com 0,81 ponto percentual para o IPP. O IBGE relaciona o avanço à elevação dos preços do petróleo, afetados pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz e pela escalada do conflito no Oriente Médio. Outros segmentos que avançaram foram produtos químicos, refino de petróleo e equipamentos eletrônicos; o setor de alimentos também voltou a subir após dez leituras negativas, com destaque para laticínios, carnes e açúcares.

O movimento ocorre no dia em que o Banco Central anuncia decisão de política monetária com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, hoje em 14,75%. A alta do IPP, em particular puxada por choques externos sobre commodities energéticas, acende alerta para o ritmo de cortes: pressiona a justificativa técnica para afrouxamento rápido e complica o quadro para a âncora de inflação no curto prazo.

Para o governo e o mercado, a leitura é dupla: a deflação anual ainda oferece algum espaço, mas a reversão nas pressões de custo aumenta a incerteza sobre o repasse aos preços ao consumidor e sobre a persistência da descompressão inflacionária. Em meio a um choque externo longe de solução rápida, a agenda de política econômica terá de conciliar resposta a choques e manutenção da credibilidade na trajetória da inflação.