Os preços de bens importados pelos Estados Unidos subiram 0,8% em março, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado — que projetava alta de 2,0% — e sucede uma revisão para baixo da alta de fevereiro, de 0,9%. No acumulado de 12 meses até março, o avanço foi de 2,1%, a maior variação anual desde dezembro de 2024.

O relatório mostra movimentos divergentes por componente: os preços de combustíveis importados subiram 2,9% em março (ante 2,4% em fevereiro) e os alimentos importados avançaram 0,5%. Excluindo alimentos e energia, os preços de importados cresceram 0,6%, depois de 0,9% em fevereiro. Também houve aumentos sólidos em bens de capital e bens de consumo, exceto automóveis.

A pressão vem em grande parte do mercado de petróleo: os preços do petróleo acumularam alta superior a 35% desde o início do conflito no Oriente Médio no fim de fevereiro, o que já vinha pressionando índices ao produtor e ao consumidor nos EUA. Esses choques de oferta em commodities mostram que choques geopolíticos continuam capazes de impor inflação importada mesmo diante de uma leitura mensal moderada.

Do ponto de vista macroeconômico, a leitura mistura alívio momentâneo e sinal de alerta. A surpresa baixa sobre o mês reduz ruído imediato, mas a alta anual e o disparo de combustíveis acendem um risco de repasse mais amplo para preços domésticos e complicam a trajetória de política monetária, sobretudo para países emergentes e importadores líquidos. Para governos e setores empresariais, a conta pode vir em forma de custos maiores e maior volatilidade de curto prazo.