Os contratos futuros do petróleo recuaram com força neste domingo (24): o Brent caiu quase 5%, para US$ 98,83 o barril, e o WTI dos EUA perdeu mais de 4%, cotado a US$ 92,03. A queda alcançou mínimas de duas semanas diante de negociações entre EUA e Irã que preveem, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O movimento no mercado chega num momento de pressão já sentida pelos consumidores: no feriado de Memorial Day, a média nacional de gasolina nos EUA estava em US$ 4,51 por galão, o maior valor em quatro anos, e a AAA registra que o combustível segue significativamente mais caro desde o início do conflito — alta de cerca de 51%. Analistas do JPMorgan estimam que, se o estreito reabrir em junho, o Brent pode ter média em torno de US$ 97 por barril até o fim do ano.
Do ponto de vista econômico, a perspectiva de redução do prêmio de risco tende a aliviar pressão inflacionária global e a diminuir custos de insumos e fretes, com efeitos diretos sobre preços ao consumidor e orçamentos públicos. Para o Brasil, cotações menores para o barril importado significam menor pressão para reajustes automáticos nos combustíveis e, em tese, alguma folga para a política fiscal e monetária.
Resta, porém, um aviso prudente: avanço nas negociações não equivale a acordo definitivo e os mercados podem reverter rapidamente se o impasse reaquecer. Na prática, mesmo com a queda das cotações, o consumidor segue exposto a preços elevados no curto prazo, e será necessário que governos convertam a descompressão externa em medidas domésticas concretas para que o alívio chegue ao bolso do cidadão.