Os contratos futuros do petróleo voltaram a acelerar nesta quarta-feira após nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã. O Brent, referência global, subiu cerca de 5,95%, para US$ 78,58 por barril, enquanto o WTI avançou 5,81%, para US$ 74,54 por barril, por volta das 6h40 (horário de Brasília). O movimento reflete reação imediata dos mercados a ataques americanos e ao restabelecimento de restrições às exportações iranianas.

A ação dos EUA incluiu ataques contra alvos iranianos e a revogação de uma licença geral que permitia vendas de petróleo do Irã, segundo autoridades citadas na cobertura internacional. Teerã condenou as medidas, alegou violação de acordos prévios e prometeu uma “resposta devastadora”. Analistas destacam que o memorando preliminar entre os dois países mostrou-se frágil diante de sucessivas escaladas.

A insegurança já se traduz em comportamento concreto: pelo menos quatro petroleiros e navios transportadores de gás deram meia-volta e desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz, segundo dados de rastreamento marítimo. A situação encontra um mercado mais exposto: os estoques da Reserva Estratégica dos EUA atingiram o menor nível desde 1983, reduzindo a margem de manobra para amortecer choques de oferta.

O resultado é um aumento da volatilidade e um risco real de alta dos custos de energia no curto prazo. Para economias importadoras e para a dinâmica inflacionária global, a alta do petróleo pode pressionar preços de combustíveis e, indiretamente, alimentar custos de produção. Do ponto de vista fiscal e político, choques externos desse tipo complicam previsões orçamentárias e exigem monitoramento próximo por governos e bancos centrais.