Os mercados de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, na terceira sessão consecutiva de avanços, com investidores recalibrando probabilidades de um acordo entre Estados Unidos e Irã que reabra o Estreito de Ormuz. O WTI para julho subiu 2,4%, a US$ 96,02 o barril, enquanto o Brent para agosto avançou 1,89%, para US$ 97,81 por barril.
Desde a última sexta-feira, o Brent acumula alta próxima de US$ 7, em reação ao aumento das hostilidades na região do Golfo Pérsico. Analistas apontam crescimento do pessimismo sobre uma trégua diplomática capaz de normalizar o tráfego pelo estreito, rota vital para grande parte do petróleo mundial, e avaliam que a persistência do conflito elevará prêmios de risco nos preços.
A dinâmica é contraditória: enquanto o petróleo sobe diante do risco geopolítico, os principais índices acionários dos EUA seguiram em alta — com S&P 500, Dow Jones e Nasdaq atingindo máximas recordes em sequência. Estrategistas observam que ganhos em ações refletem fatores domésticos e fluxos de liquidez, mas não neutralizam o impacto direto que combustíveis mais caros têm sobre custos e inflação.
Para a economia brasileira, o choque de oferta internacional pode traduzir-se em pressão adicional sobre preços ao consumidor e combustíveis, além de aumentar custos fiscais caso o governo precise adotar subsídios temporários. O cenário exige monitoramento próximo das autoridades monetária e fiscal: a combinação de inflação mais alta e preços externos voláteis complica a trajetória das metas e força reavaliações de curto prazo na condução econômica.