Os preços do petróleo caíram com força nesta segunda-feira depois que Estados Unidos e Irã sinalizaram uma pausa nas hostilidades ao longo do fim de semana. Às 10h45, os contratos do Brent recuavam 5,92%, a US$ 91,05, enquanto o WTI cedia 5,45%, cotado a US$ 84,44 — perdas que refletem um alívio imediato do temor de disrupção mais ampla no abastecimento.
A sinalização de negociações entre Washington e Teerã interrompeu uma sequência de mais de dez dias de escalada no Oriente Médio, período em que os mercados projetaram o barril acima de US$ 100. Ainda assim, o tráfego pelo Estreito de Ormuz permaneceu reduzido e os ataques de grupos alinhados ao Irã contra instalações no Mar Vermelho mantêm os operadores estrangeiros em alerta, mostrando que o risco estratégico não foi eliminado.
O recuo nos preços também apareceu nas bolsas: praças asiáticas fecharam no verde e as principais capitais europeias abriram em alta. Para a política monetária, a leitura é ambígua: a redução das pressões sobre energia pode atenuar parte do componente inflacionário pouco antes da decisão do Fed, marcada para quarta-feira, mas a volatilidade geopolítica continua sendo um fator que complica previsões e aumenta o prêmio de risco embutido nos ativos.
Do ponto de vista fiscal e econômico, uma queda sustentada dos preços tende a aliviar custos de combustíveis e pressões inflacionárias para países importadores; porém, a pausa nas hostilidades mostra-se frágil e dependente de sinais políticos. A interrupção temporária anunciada por Washington, segundo relatos, foi adotada após avaliação de seus comandantes de que os ataques haviam alcançado limite de eficácia — um recuo que alivia os mercados no curto prazo, sem apagar a incerteza estratégica na região.