Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, afirmou que os consumidores americanos devem conviver com preços elevados do petróleo e da gasolina até pelo menos o final de setembro, mesmo se o Estreito de Ormuz for reaberto em breve. A avaliação foi dada em entrevista ao programa This Week, da ABC News, e destaca que os mecanismos que amorteceram o choque de oferta nos meses recentes já estão perdendo força.
Entre esses amortecedores está a Reserva Estratégica dos EUA, que vem sendo utilizada para compensar a redução no fornecimento causada pelo conflito no Oriente Médio. Dados da Energy Information Administration (EIA) apontam queda de 7,9 milhões de barris entre 29 de maio e 5 de junho, sinalizando esgotamento gradual das reservas. McNally lembra também que mais de um bilhão de barris foram afetados pela guerra, o que agrava a situação de oferta.
O analista ponderou que um acordo duradouro entre EUA e Irã poderia restabelecer fluxos e aliviar preços; sem esse desfecho, o petróleo pode voltar a subir para a faixa de US$ 100 por barril e a gasolina nos EUA atingir novo pico em torno de US$ 5 por galão. Na última semana, Brent e WTI negociaram na casa dos US$ 82 e US$ 84, respectivamente, enquanto a média da gasolina nos EUA estava em cerca de US$ 4,07 por galão, segundo a AAA.
As implicações vão além do posto: preços sustentadamente mais altos pressionam inflação e reduzem rendimento real das famílias, elevam custo de produção e podem gerar impacto fiscal caso governos optem por subsídios para segurar combustíveis. Para formuladores e auxiliares econômicos, o desafio é equilibrar resposta imediata aos choques com responsabilidade fiscal, porque medidas emergenciais repercutem nas contas públicas e na percepção de credibilidade ante investidores.