Os mercados de petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira com renovados ataques israelenses ao Irã e novos confrontos envolvendo o Líbano. Os futuros do Brent subiram US$3 (3,3%), a US$96,17 por barril, enquanto o WTI avançou US$3,23 (3,6%), a cerca de US$93,76, por volta das 8h20 (horário de Brasília). Desde o início do conflito, há pouco mais de 100 dias, o Brent já acumula alta de 34% e o WTI de 41%, depois de picos próximos a US$120 em março.
O aumento da aversão ao risco foi impulsionado por relatos de que Israel atacou o complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do Irã, com partes das instalações danificadas, segundo a agência semi-oficial Fars. A sequência de ataques ocorreu mesmo com relatos de pressão dos EUA para que Israel evitasse novas ofensivas. Analistas — entre eles Giovanni Staunovo, do UBS — destacam a preocupação com a possibilidade de fluxos pelo Estreito de Ormuz permanecerem restritos: hoje cerca de um quinto do suprimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito passa por ali.
Num cenário de oferta mais apertada, a Opep+ anunciou seu quarto aumento de meta de produção em quatro meses, mas especialistas dizem que a medida terá efeito limitado, já que muitos membros não conseguem cumprir metas diante de restrições logísticas e geopolíticas, e a Rússia vê sua capacidade afetada por ataques com drones na Ucrânia. Declarações do embaixador do Irã em Moscou sobre abertura do estreito sob novas condições e taxas de trânsito reforçam a percepção de risco permanente e de possíveis custos adicionais ao comércio marítimo.
Para economias emergentes, a alta do petróleo tem efeitos diretos: pressiona a inflação, eleva custos de frete e insumos industriais, piora a conta externa e pode forçar respostas fiscais ou monetárias que encarecem o custo do crescimento. No plano político, a continuidade das hostilidades e as decisões limitadas da Opep+ ampliam a incerteza, complicando a agenda de responsabilidade fiscal e a estratégia de controle inflacionário dos governos. O mercado vai monitorar de perto sinais de escassez real de oferta e qualquer escalada que possa fechar rotas vitais, enquanto autoridades são desafiadas a articular respostas coordenadas para mitigar impacto sobre o cidadão comum.