O Prime Day começa nesta terça-feira (22) com estimativas que apontam para um novo recorde de vendas online. A Adobe projeta até US$ 26,3 bilhões gastos no período de quatro dias, um avanço de cerca de 9% sobre o ano anterior. A eMarketer prevê gastos na casa dos US$ 26,03 bilhões e estima que a Amazon ficará com 60% desse total, com crescimento de vendas em torno de 7% na comparação anual.

Apesar das previsões robustas, o movimento do mercado é tenso: as ações da Amazon caíram cerca de 4,5% em Nova York no dia citado e já acumulam recuo de 12% desde o pico registrado no início de maio. Investidores têm dado prioridade aos resultados e perspectivas do segmento de computação em nuvem (AWS) e ao avanço em inteligência artificial, reduzindo a reação positiva que um bom desempenho de varejo poderia ter sobre a cotação.

Concorrentes como Walmart e Target programaram promoções concorrentes, o que tende a diluir o impacto exclusivo do Prime Day sobre o consumo. Analistas e casas de pesquisa acompanham dados de vendas de terceiros para avaliar não só a saúde do comércio da Amazon, mas também o comportamento do consumidor americano em um cenário de preços pressionados — estratégia que a própria empresa tem usado como argumento para atrair compradores.

Do ponto de vista prático, o evento segue importante como termômetro do varejo, mas provavelmente insuficiente para alterar a narrativa do mercado sobre a empresa. Para reverter a pressão sobre as ações, será necessário sinalizar força contínua em AWS e avanços críveis em IA, além de resultados de varejo que superem expectativas frente à concorrência. O que ficará em foco agora são as leituras de vendas por categoria, dados de participação de mercado e qualquer comentário da companhia sobre margem e demanda pós-evento.