A produção industrial brasileira registrou crescimento em 15 dos 18 locais pesquisados em março de 2026 em comparação com março de 2025, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional divulgada pelo IBGE. Na média nacional, a alta foi de 4,3%. O instituto chamou atenção para um fator técnico: março de 2026 teve 22 dias, três dias úteis a mais que igual mês do ano anterior, o que ajuda a explicar parte do avanço.

Os resultados mostram forte heterogeneidade regional. Entre os maiores avanços estão Pernambuco (35,0%), Espírito Santo (22,5%), Mato Grosso do Sul (12,3%) e Rio Grande do Sul (11,0%). Também houve crescimento em grandes polos, como São Paulo (2,2%) e Paraná (2,9%). No extremo oposto, Maranhão (-12,7%), Rio Grande do Norte (-5,1%) e Bahia (-3,4%) registraram queda, evidenciando recuos pontuais relevantes.

O quadro revela uma recuperação desigual: picos expressivos em alguns Estados não se traduzem em dinamismo disseminado. O desempenho moderado de São Paulo — núcleo industrial do país — relativiza a leitura otimista baseada apenas na média nacional. A concentração do avanço implica efeitos fiscais e de emprego distintos por região e põe limites à narrativa de retomada homogênea da atividade industrial.

Para formuladores de política econômica e para o governo, o recado é duplo: a melhora do indicador é bem-vinda, mas há necessidade de cautela ao interpretar os números e de políticas direcionadas para reduzir assimetrias. O efeito calendário reforça a recomendação de aguardar séries mais longas antes de concluir que a indústria voltou a tração sustentável; até lá, a base de recuperação segue desigual e suscetível a reveses locais.