Uma pesquisa do Ibre/FGV revela que a produtividade por horas trabalhadas recuou no primeiro trimestre do ano, enquanto o Brasil perdeu sete posições no ranking global de competitividade. O resultado levanta dúvidas sobre a qualidade do crescimento medido pelo PIB e sobre a capacidade do país de elevar sua eficiência produtiva.
Para o colunista Gilvan Bueno, ouvido pela CNN, o quadro evidencia uma contradição: embora o PIB apresente expansão intermitente, não há sinal claro de avanço na força produtiva nacional. Segundo ele, parte do desempenho econômico vem do agronegócio e de setores ligados a commodities, fatores que não necessariamente elevam a produtividade média nem retêm talentos.
O crescimento do PIB não implica avanço da capacidade produtiva do país, afirma o colunista Gilvan Bueno.
Especialistas e analistas que acompanham o levantamento destacam que movimentos pontuais no PIB — alimentados por transferências de renda, isenções fiscais ou resultados setoriais isolados — podem mascarar perdas de competitividade. A consequência é um crescimento frágil, dependente de condições externas e de políticas setoriais que não resolvem déficits estruturais em inovação, formação de capital humano e investimentos.
No plano político e econômico, os números complicam a narrativa de recuperação robusta: um país que perde posições em competitividade enfrenta mais dificuldade para atrair investimentos de longo prazo e ampliar produtividade. O diagnóstico exige respostas concentradas em atração de investimentos produtivos, qualificação de mão de obra e revisão de incentivos fiscais que não geram ganhos de eficiência.