Levantamento do FGV Ibre divulgado nesta semana mostra que a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas caiu 0,5% no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. Indicadores alternativos — produtividade por horas habitualmente trabalhadas e por população ocupada — registraram avanços modestos, de 0,5% e 0,4%, respectivamente, o que aponta ganhos limitados e heterogêneos.
Para analistas, o resultado confirma que o crescimento recente do PIB não tem caráter essencialmente produtivo. A expansão continua muito pautada por commodities e por estímulos pontuais — transferências de renda, liberações do FGTS e incentivos fiscais — em vez de aumentos sustentáveis de eficiência. A composição atual da economia, com cerca de 70% do PIB vindo de serviços, 25% da pecuária e apenas 5% da indústria, reforça a fragilidade da base produtiva.
Especialistas que avaliaram o levantamento destacam problemas estruturais: deficiências na educação, sistema tributário complexo, acesso restrito ao crédito e ambiente de negócios com segurança jurídica incerta. Programas como o Move Brasil podem reduzir custos para grupos específicos, como motoristas que dependem de veículos alugados, mas não alteram o quadro macroeconômico sem políticas complementares. Além disso, juros elevados e o alto endividamento das famílias limitam a retomada do crédito e do investimento.
O diagnóstico tem implicações políticas e econômicas claras: a fraqueza da produtividade complica a narrativa oficial de crescimento robusto e acende alerta sobre a necessidade de reformas de longo prazo. Sem avanço em infraestrutura, educação e regras tributárias, o país tende a conviver com expansão episódica e vulnerável, elevando o custo político e fiscal de sustentar estímulos que não geram ganhos de produtividade duradouros.