O Inter apresenta um ecossistema amplo: conta digital sem tarifa, cartões sem anuidade, plataforma de investimentos, produtos em dólar pela Conta Global, linhas de crédito variadas e um Super App com recursos de inteligência artificial e hiperpersonalização. A companhia reportou 44 milhões de clientes no primeiro trimestre de 2026 e um volume de pagamentos de R$ 1,7 trilhão — números informados pela própria instituição.
No mesmo período a carteira de crédito atingiu R$ 50 bilhões, um crescimento de 33%. A estratégia adotada desde 2025 e os lançamentos de 2026, segundo a empresa, teriam sido determinantes para os resultados. Parte da estabilidade da carteira vem do foco em modalidades com garantia — imóveis, veículos e aplicações — que reduzem a exposição a perdas diretas por inadimplência.
O modelo de oferecer contas e cartões sem tarifas tem implicações claras: a escala reduz o custo por cliente e permite oferta agressiva de serviços básicos. Mas há custo político e econômico nessa opção: margem operacional tende a ser pressionada, o que obriga o banco a monetizar por meio de crédito, programas de pontos ou outros serviços pagos. A concentração de receita em operações de crédito e em volume de pagamentos exige monitoramento da qualidade da carteira e da capacidade de manter spreads em um ambiente competitivo.
Para o usuário, o pacote é atraente — especialmente pela ausência de tarifas, atendimento 24/7 e opções como a Conta Global em dólares. Ainda assim, consumidores devem ficar atentos às taxas aplicadas em parcelamentos, juros rotativos e condições específicas de cada linha de crédito. Do ponto de vista institucional, o avanço reforça o impacto dos bancos digitais no mercado, mas também levanta questões sobre sustentabilidade de modelo de zero tarifa e necessidade de equilíbrio entre crescimento e rentabilidade.