A pesquisa Marca Brasil, produzida pela consultoria portuguesa OnStrategy e adiantada com exclusividade à CNN Brasil, aponta que a qualidade de produtos e serviços é hoje um dos atributos mais sólidos da imagem do país. O levantamento ouviu 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros entre outubro de 2025 e março de 2026, e registrou notas de 7,6 na percepção interna e 6,5 externamente — sinal de que a reputação doméstica ainda supera a visão estrangeira.
O setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB em 2025, sobressai no diagnóstico. Dados do IBGE mostram que a série do setor está 20% acima do nível pré-pandemia e igualou em fevereiro o topo histórico atingido em novembro de 2025. Dentro do conjunto, alguns segmentos ampliaram muito sua atividade — informação e comunicação (+39,2%), serviços profissionais e administrativos (+23,5%) e transportes (+20%) — enquanto outros permanecem próximos ao patamar pré-Covid (+1,4%) ou sob recuperação mais lenta (serviços às famílias +6,5%).
O resultado confirma a centralidade dos serviços para crescimento do PIB, geração de emprego e distribuição de renda, mas também expõe uma recuperação desigual entre subsectores e regiões. Para além do bônus reputacional, a economia enfrenta o desafio de elevar produtividade, formalizar postos e aprimorar infraestrutura e qualificação — áreas nas quais as políticas públicas e investimentos privados terão papel decisivo para transformar a imagem positiva em ganhos macroeconômicos sustentáveis.
Politicamente, o dado abre uma janela de oportunidade e ao mesmo tempo impõe um teste à gestão pública: a reputação construída por produtos e serviços pode facilitar atração de investimentos e acordos comerciais, mas depende de medidas concretas que melhorem ambiente de negócios e reduzam entraves regulatórios. A cobertura especial que a CNN Brasil fará com os dados da OnStrategy ao longo da semana deve ampliar o debate sobre como converter essa vantagem de imagem em resultados econômicos e sociais reais.