O governo informou que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será enviado ao Congresso até 31 de agosto com proposta de salário mínimo em R$ 1.741 — um aumento nominal de R$ 120 sobre os R$ 1.621 vigentes em 2026. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o reajuste representa alta nominal de 7,4% e ganho real de 2,4%, dentro do limite de 2,5% previsto no arcabouço fiscal.

O efeito direto nas contas públicas está registrado no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO): a cada R$ 1 de aumento do mínimo o governo estima acréscimo de R$ 413,2 milhões nas despesas obrigatórias. Com R$ 120 a mais, a conta sobe cerca de R$ 49,6 bilhões — cifra que recai sobre benefícios que não podem ficar abaixo do salário mínimo, como aposentadorias do INSS, seguro-desemprego e abono salarial.

O valor de R$ 1.741 é provisório: o cálculo final do mínimo incorpora o INPC acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento da economia nos dois anos anteriores, indicador divulgado pelo IBGE em dezembro. Além disso, a proposta precisa ser analisada e aprovada por deputados e senadores, com exame na Comissão Mista de Orçamento, o que pode levar a ajustes ou negociações de compensação.

Do ponto de vista fiscal, o anúncio reduz a margem para despesa discricionária e para contingenciamento, ao mesmo tempo em que aumenta a rigidez do orçamento por elevar despesas obrigatórias. A inclusão do novo mínimo no PLOA já alinha o governo com uma proposta concreta, mas também amplia pressão política sobre a gestão das contas públicas e as prioridades orçamentárias para 2027.