A Quadra Capital confirmou-se como a gestora interessada em adquirir a carteira do Master que ainda estava no balanço do Banco de Brasília. O acordo prevê um desembolso imediato de R$ 4 bilhões para compra de cotas sêniores, quantia que o BRB contabiliza para recompor liquidez. O restante — cerca de R$ 11 bilhões do pacote avaliado em torno de R$ 20 bilhões — dependerá de operações futuras estruturadas pela própria gestora por meio de um FIDC.

A transação, embora entregue um alívio financeiro imediato, gerou inquietação entre servidores e analistas. Fontes internas começaram a questionar se a estrutura combinada garante a entrada dos R$ 11 bilhões no prazo esperado ou se o banco ficará exposto caso a revenda dos ativos não se concretize. A situação destaca a fragilidade de contar com um pagamento parcelado em que a maior parte do valor depende de desinvestimento no longo prazo.

O perfil da Quadra — que atua em financiamento, participação acionária e vem se especializando em infraestrutura e logística — ajuda a explicar o interesse pela carteira. A gestora foi protagonista em processos recentes, como a concessão de portos do Espírito Santo em 2022, e adquiriu um terminal no Porto de Paranaguá que acabou transferido para a FTSPar. Ainda assim, o fato de ter sido a única proponente pela totalidade da carteira levanta questões sobre competitividade do processo e sobre o preço efetivamente obtido pelo BRB.

Do ponto de vista institucional, a operação impõe dois desafios imediatos: a necessidade de transparência sobre o calendário dos recebimentos e a elaboração de planos de contingência caso os valores previstos não se realizem. Para um banco público cujo desempenho impacta finanças locais e confiança de stakeholders, a diferença entre R$ 4 bilhões agora e R$ 15 bilhões prometidos pode transformar uma solução de liquidez em fonte de tensão política e fiscal.