Uma pesquisa nacional Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) revela que 63% dos brasileiros acreditam que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais prejudicarão sua vida ou a de familiares. O resultado chega após a confirmação, na noite de quarta-feira (15), do pacote tarifário anunciado pelo USTR — o representante comercial dos EUA — e aparece num contexto de preocupação econômica que, no pico de 2025, chegou a 79%. A coleta ocorreu entre 10 e 13 de julho de 2026, com 2.004 entrevistados; a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Além do diagnóstico econômico, o levantamento tem forte componente político: 51% dos entrevistados dizem concordar mais com a versão defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que Flávio Bolsonaro (PL) tem responsabilidade pelo avanço do 'tarifaço' americano. Outros 30% apoiam a narrativa do senador, segundo a qual ele teria pedido a Donald Trump que o Brasil fosse poupado. A vantagem da posição governista subiu em relação a junho — de 47% para 51% — enquanto a adesão à versão do senador caiu de 35% para 30%. Os números acendem alerta sobre o custo político para aliados que tentam minimizar o episódio.
No plano econômico, o sentimento de prejuízo reportado pela maioria atravessa estratos sociais, indicando percepção de risco que pode se traduzir em efeito real sobre exportadores, cadeias produtivas e preços internos. A pesquisa não mede diretamente efeitos objetivos sobre comércio ou emprego, mas projeta um cenário de pressão por medidas compensatórias: defesa comercial, negociações diplomáticas e eventual ajuste fiscal para mitigar impacto setorial. Para gestores e empresários, o dado reforça incerteza e demanda respostas claras da diplomacia e da economia do governo.
Do ponto de vista eleitoral e institucional, o levantamento funciona como termômetro imediato: reduz espaço para narrativas alternativas da oposição e reforça a narrativa oficial sobre responsabilidade externa e alinhamentos políticos. Ao mesmo tempo, mantém o foco no governo e em sua capacidade de reagir — não apenas para proteger setores afetados, mas para recuperar confiança popular. A pesquisa foi registrada sob o número BR-07181/2026.