A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (15) indica que 29% dos brasileiros se consideram com muitas dívidas — queda frente aos 32% registrados em maio do ano passado. No mesmo período houve avanço dos que declaram ter poucas dívidas, de 33% para 43%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 9 e 13 de abril, em entrevistas presenciais e por questionário, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
O estudo também mostra forte apoio público a medidas do Estado: 70% dos entrevistados são favoráveis a programas governamentais para ajudar famílias endividadas. Sobre uma proposta nos moldes do chamado “Desenrola”, 46% aprovam a iniciativa, 45% disseram não conhecer o programa e 9% desaprovam.
Os números trazem dois sinais simultâneos. Por um lado, há uma melhora na autopercepção do endividamento. Por outro, a elevada parcela que desconhece a proposta oficial expõe um problema de comunicação que pode limitar o impacto político e prático da medida. A adesão formal de 46% é relevante, mas insuficiente se o objetivo for traduzir apoio em resultado concreto.
Na prática, o governo enfrenta pressão para transformar percepção em solução efetiva: além de desenhar regras que alcancem os mais vulneráveis, terá de justificar custos e mecanismos de execução. Politicamente, um programa bem-sucedido pode render fôlego; se mal comunicado ou mal calibrado, aumenta o risco de frustração entre eleitores e tensão fiscal.