Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que 56% dos brasileiros são contra o fim da escala 6x1 se a alteração vier acompanhada de corte salarial. O percentual representa uma resistência explícita a mudanças na jornada quando estas implicam perda de renda. No mesmo levantamento, a parcela da população a favor do fim da escala caiu para 68% em maio, ante 72% registrada em dezembro do ano passado.
O levantamento, com 2.004 entrevistas realizadas entre 8 e 11 de maio e margem de erro de 2 pontos percentuais, mostra variação regional e por faixa etária: a região Sul apresenta a maior aversão ao fim da escala com redução de salário (64%), seguida pelo Sudeste (55%) e pelas demais regiões (53%). Homens e mulheres registraram índices próximos — 56% e 55% contra, respectivamente —, enquanto os jovens de 16 a 34 anos são os mais contrários no cenário de corte (58%).
Os números desenham um cenário político e econômico delicado. A queda no apoio ao fim da escala em todas as regiões indica perda de tração para propostas que não ofereçam compensações claras ao trabalhador. Para empregadores e formuladores de políticas, a pesquisa acende alerta: tentar avançar na alteração de regimes de trabalho sem preservar a remuneração pode gerar resistência social e desgaste político, além de repercussões no mercado de trabalho.
Do ponto de vista eleitoral e institucional, a preferência por manutenção de renda funda um argumento simples e direto — renda importa mais que reestruturação de jornada quando há corte no holerite. O recuo na aprovação do fim da 6x1 complica a narrativa oficial e amplia a necessidade de negociação com sindicatos e setor produtivo, sob risco de decisões que busquem redução de custos acabarem por custar apoio político e aumentar controvérsias públicas.