O prêmio estimado de R$ 30 milhões do concurso da Mega-Sena reacende a dúvida frequente entre ganhadores e poupadores: onde aplicar o dinheiro para obter mais retorno? Um levantamento encomendado ao estrategista Michael Viriato, da Casa do Investidor, e publicado pelo CNN Money compara poupança, Tesouro Selic, CDBs e fundos DI considerando a taxa básica de juros em 14%.

Os números deixam claro o diferencial entre aplicações. Na poupança, considerada a opção com menor retorno, R$ 30 milhões renderiam pouco mais de R$ 199 mil em um mês e cerca de R$ 2,4 milhões em um ano. Já a simulação que assume CDBs de bancos médios remunerando 110% do CDI aponta ganhos de R$ 286 mil em um mês e R$ 3,7 milhões em 12 meses. O levantamento traz também Tesouro Selic e fundos DI como alternativas intermediárias.

As contas divulgadas são líquidas — isto é, já descontado o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos — e consideram taxas de administração (0,5% para fundos DI e 0,2% para Tesouro Selic), enquanto a poupança permanece isenta de IR. Essa diferença tributária reduz parte da vantagem de aplicações pós-fixadas, mas não elimina o maior retorno oferecido por produtos atrelados ao CDI quando a Selic está elevada.

Do ponto de vista prático e político, a elevada Selic é uma faca de dois gumes: favorece quem dispõe de capital para aplicar em renda fixa, mas também encarece o custo do crédito e pressiona as contas públicas. Para quem busca preservar poder de compra e rentabilizar um prêmio extraordinário, o exercício essencial é ponderar remuneração, tributação, taxas, liquidez e risco de contraparte — fatores que definem quem sai, de fato, ganhando.