As principais bolsas da Ásia fecharam em alta na sexta-feira (3), com destaque para Japão (Nikkei +1,53%), Coreia do Sul (Kospi +5%) e Hong Kong (Hang Seng +1,18%). Xangai e Shenzhen também avançaram após dados de serviços melhores que o esperado. O movimento reflete recuperação parcial após volatilidade recente nas ações ligadas à tecnologia e à inteligência artificial.

Especialistas apontam que a correção observada não configura, automaticamente, o fim do ciclo de valorização. Felipe Cima, da Manchester Investimentos, lembra que o primeiro trimestre trouxe resultados robustos para o setor, com aumento expressivo do Capex e valorizações que chegaram a superar 100%. Parte dessa realização, segundo ele, decorre de dúvidas sobre como as empresas vão rentabilizar os investimentos e do patamar elevado dos juros nos EUA — o título de 30 anos ronda 4,98% na ponta mercado.

Para Cima, quedas exageradas podem criar oportunidades para quem ficou fora da primeira rodada de alta. Ele cita a Micron, que voltou a negociar entre 5 e 6 vezes o lucro esperado para 2028, frente a um múltiplo histórico perto de 10,2 vezes. Na Coreia, onde Samsung e SK Hynix dominam o índice, há lucros trimestrais na casa dos US$ 30 bilhões e expectativa de continuidade do ciclo de Capex ao menos até 2028. Ainda assim, a monetização plena da IA generativa segue incipiente.

O quadro impõe uma leitura dupla para investidores: há ativos com valuation mais atraente após a realização, mas o ambiente de juros altos e a incerteza sobre modelos de receita da IA exigem seleção e disciplina. Para mercados emergentes, a pressão de yields americanos pode drenar recursos e aumentar volatilidade. Em resumo: oportunidade sim, mas não sem riscos — e não é sinal para uma compra indiscriminada.