Um levantamento da consultoria 4Intelligence revela que, em 2025, as classes D e E representaram 19,4% da população — cerca de 41 milhões de pessoas — o menor patamar desde o início da série, em 2012. A participação caiu de 31,6% para 19,4% ao longo dos anos, num quadro em que a classe média (C1 e C2) concentra agora cerca de 56% dos brasileiros. O recorte mostra também um discreto alargamento da ponta superior: a classe A cresceu de 2,7% para 3,8%, superando 8 milhões de pessoas com renda domiciliar per capita acima de R$ 7.989.
A pesquisa atribui a movimentação sobretudo à melhora do mercado de trabalho — responsável por aproximadamente 70% da renda familiar, segundo a 4Intelligence — e à atuação de programas de transferência de renda. Esses fatores, atuando em conjunto, ajudaram milhões a subirem para faixas de renda intermediárias. Mas o estudo adverte que boa parte dessa mobilidade é frágil: famílias que deixaram as camadas mais baixas ainda não constituíram patrimônio ou reservas financeiras capazes de protegê-las em momentos de aperto.
Além da vulnerabilidade financeira das novas classes médias, os especialistas apontam distorções no desenho de políticas sociais que reduziram parte da eficiência dos programas desde meados de 2022. No diagnóstico, ajustes no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm impacto sobre a capacidade dessas iniciativas de promover inclusão sustentável. O principal risco para consolidar os ganhos é uma aceleração da inflação, que corrói rendimento real e pode estancar avanços na mobilidade social.
Os números deixam claro um contraste persistente: em 2025, a renda domiciliar per capita média da classe A chegou a R$ 14.214 — cerca de 31 vezes o valor médio de R$ 453 das classes D e E. Ou seja, embora a pobreza monetária tenha recuado, a estrutura distributiva segue altamente desigual. Para transformar a melhora conjuntural em mudança estrutural será preciso, além de emprego, políticas que promovam formação de ativos, proteção contra choques e revisão do desenho de transferências para elevar a eficácia e a sustentabilidade dos ganhos sociais.