O Brasil recuou sete posições no ranking mundial de competitividade e agora ocupa o 65º lugar entre 70 países, resultado que acende alerta sobre a capacidade de atrair investimentos, gerar empregos e elevar produtividade. A perda de posição sinaliza risco de enfraquecimento econômico caso medidas estruturais não avancem.
Em entrevista, o professor Carlos Honorato, da FIA Business School, aponta gargalos espalhados pela economia. Entre eles, a formação insuficiente — que vai além de cursos técnicos e passa por uma base frágil em matemática, português e linguagem —, o que mina a produtividade e a capacidade de incorporar tecnologia com qualidade.
Honorato também destaca entraves administrativos e legislativos: excesso de burocracia, carga tributária elevada e obstáculos logísticos que elevam custos e incertezas para empresas. A alta informalidade do mercado trava a incorporação de mão de obra qualificada, enquanto a transformação digital e a inteligência artificial exigem articulação de conhecimento que o país ainda não oferece de forma consistente.
A comparação com líderes como Singapura, Suíça e Taiwan deixa claro o déficit de visão de longo prazo: políticas públicas e privadas coordenadas por décadas fizeram a diferença. No ano eleitoral, a recomendação é dupla e direta: pressionar representantes a priorizar educação básica e técnica e cobrar simplificação regulatória, enquanto empresas intensificam treinamento para reconectar talento e produtividade.