O real teve hoje o pior desempenho entre as principais moedas de mercados emergentes, numa sessão em que fatores externos e domésticos se combinaram para aumentar a aversão ao risco. O dólar à vista subiu 0,62%, a R$ 5,1122, enquanto o contrato futuro para agosto avançava 0,41%, negociado em torno de R$ 5,12 por volta das 17h. No mês, a divisa americana ainda acumula queda, mas o movimento de hoje destacou fragilidades pontuais do câmbio brasileiro.
O principal catalisador imediato foi a queda de mais de 6% do petróleo Brent — o barril para outubro fechou a US$ 85,87 —, que deteriora os termos de troca para o Brasil, exportador líquido da commodity. Consultores de mercado citaram também fluxo pontual e ajustes de posição em véspera da decisão do Federal Reserve, marcada para quarta-feira, que mantém os operadores em alerta sobre o caminho dos juros nos Estados Unidos.
No plano doméstico, a combinação entre a volatilidade do petróleo e a pauta política aumentou a pressão cambial. Analistas lembram que medidas protecionistas recentes nos EUA (o chamado 'tarifaço') afetaram exportações brasileiras em ciclos passados e que a polarização eleitoral — com pesquisas mostrando liderança do presidente em cenários de primeiro e segundo turno — alimenta incertezas sobre a agenda fiscal do próximo governo.
O quadro impõe desafios práticos: câmbio mais caro encarece importações e adiciona ruído à estratégia de ajuste fiscal que o mercado exige. Com agendas de relevo nesta terça — dados do setor externo e IPCA-15 — e o Fed no radar, operadores tendem a privilegiar liquidez e proteção, elevando a sensibilidade do real a choques externos e a riscos políticos domésticos.