Os brasileiros gastaram R$ 6,044 bilhões no exterior entre janeiro e março de 2026, o maior valor para o período desde o início da série histórica, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (24). O montante representa alta de 21,9% em relação ao 1º tri de 2025. Só em março as despesas somaram cerca de R$ 2 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão no mesmo mês do ano anterior.

O desempenho ocorre em meio à valorização do real frente ao dólar: no ano a divisa norte-americana acumula queda de 8,82% ante a moeda brasileira. A trajetória da cotação tornou viagens internacionais relativamente mais baratas, o que, na avaliação do mercado, pode ter estimulado a retomada das viagens ao exterior e ampliado o poder de compra dos brasileiros fora do país.

O aumento das viagens internacionais tem efeitos práticos e imediatos. Além da saída maior de divisas no curto prazo, o movimento tende a afetar a demanda por turismo doméstico e serviços ligados ao mercado interno de viagens — hotéis, transporte e lazer podem ver pressão sobre receitas se parte do gasto dos brasileiros migrar para o exterior.

Politicamente e economicamente, os números mostram um dilema: um real mais forte ajuda a conter pressões inflacionárias de importados e amplia poder de compra, mas também pressiona a conta de viagens no balanço de pagamentos. Para governos e formuladores, a leitura é clara: a melhora da renda e da confiança do consumidor estimula deslocamentos além-fronteiras e exige monitoramento das consequências para a economia externa e para setores que dependem do turismo local.