Os fundos de ações globais registraram entrada líquida de US$ 3,32 bilhões na semana encerrada em 10 de junho, segundo a LSEG Lipper — a terceira semana consecutiva de aportes após a correção dos mercados. Operadores interpretam o recuo como oportunidade para reforçar posições, sobretudo em empresas ligadas à cadeia de suprimentos de inteligência artificial, área que vem concentrando o interesse institucional.
Apesar do movimento comprador, o índice MSCI World chegou a cair até 4,8% em relação à máxima histórica de 1.138,3, e depois recuperou cerca de 2,3% com a renovação de esperanças por um acordo entre Irã e Estados Unidos. A alocação por regiões mostra divergência: fundos europeus e asiáticos receberam US$ 6,74 bilhões e US$ 6,37 bilhões, respectivamente, enquanto fundos americanos sofreram saída líquida de US$ 12,57 bilhões — as primeiras vendas em três semanas.
No recorte setorial, fundos de tecnologia atraíram US$ 7,05 bilhões, marcando a décima semana seguida de entradas, enquanto os setores financeiro e industrial captaram US$ 624 milhões e US$ 545 milhões. Em renda fixa, fundos globais de títulos tiveram US$ 18,27 bilhões de aportes (décima semana seguida); destaque para US$ 6,7 bilhões em títulos de curto prazo — o maior fluxo em três semanas — além de US$ 3,21 bilhões em médio prazo em dólares e US$ 2,26 bilhões em títulos em euros. Os fundos do mercado monetário, porém, registraram saída líquida de US$ 18,21 bilhões, revertendo uma entrada expressiva da semana anterior.
Os mercados emergentes continuam pressionados: houve retirada líquida de US$ 944 milhões em fundos de obrigações e de US$ 3,4 bilhões em fundos de ações — a sétima semana consecutiva de saídas nesse segmento. O movimento expõe dois riscos práticos: maior concentração de risco no setor de tecnologia, ampliando a volatilidade em eventuais correções, e pressão sobre moedas e custos de financiamento de economias emergentes. Gestores e autoridades precisam acompanhar a redistribuição de capital, que pode traduzir-se rapidamente em efeitos sobre crédito, câmbio e atividade.