As cotações do etanol nas usinas do Estado de São Paulo registraram recuo superior a 7% na última semana de apuração, informou o Cepea. O indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado fechou a R$ 2,5920/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), queda de 7,01%; o anidro caiu 7,43%, para R$ 2,9575/litro (sem PIS/Cofins). A Argus também apontou retração semanal na ordem de 6,2% em sua referência de usina equivalente a Ribeirão Preto.

Especialistas consultados citam o início da safra 2026/27 no centro-sul e a expectativa de maior oferta de biocombustível — incluindo etanol de milho — como fator central do ajuste. Paralelamente, os preços internacionais do açúcar pressionados reduziram o estímulo para destinar cana à produção açucareira, ampliando o volume disponível para etanol.

O recuo do preço do etanol no produtor torna o biocombustível mais competitivo frente à gasolina, sobretudo num cenário em que os derivados de petróleo têm ficado mais caros no mercado internacional por conta da guerra no Irã, conforme análise da Argus. A regra prática de paridade — que indica vantagem do etanol quando seu preço fica abaixo de 70% do preço da gasolina — voltou a favorecer o combustível de cana, com impacto potencial nas escolhas do consumidor.

No varejo, no entanto, a reação foi mais tímida: a ANP aponta preços médios nacionais de R$ 4,69/l de etanol e R$ 6,77/l de gasolina, praticamente estáveis na semana. A Petrobras manteve suas cotações às distribuidoras, e o mercado ainda reflete custos, margens e a composição das importações de derivados. O movimento de queda nas usinas deve aquecer as vendas no posto e comprimir margens ao longo da cadeia, ao mesmo tempo em que testa a estratégia de precificação da estatal e a capacidade do setor de repassar reduções ao consumidor.