O iene atingiu a faixa de aproximadamente ¥162 por dólar, o menor patamar em cerca de quatro décadas. A queda ganha relevo porque amplia o custo de importação de energia, alimentos e insumos para um país que depende fortemente de compras externas, gerando pressão adicional sobre a inflação doméstica.

Especialistas ouvidos no programa Resenha do Dinheiro explicam que a mudança também reconfigura o comportamento de investidores. Após anos de juros próximos de zero no Japão, a sinalização de alta nas taxas tornou menos atraente a estratégia de carry trade — tomada de recursos em moeda barata para aplicação em ativos de maior rendimento — e tem provocado devolução desses recursos, com redução de posições em ativos de risco.

O desmonte parcial dessas operações tende a aumentar volatilidade e pressionar bolsas internacionais, na esteira da menor demanda por risco que vinha sendo financiada pelo iene barato. Ao mesmo tempo, há um dilema para o Banco do Japão: normalizar juros ajuda a combater padrões deflacionários, mas pode agravar o custo da dívida pública, considerado extremamente elevado no país.

Analistas destacam que consolidar uma inflação moderada é desejável depois de décadas de preços estagnados, mas o ritmo de alta de juros precisa ponderar a fragilidade fiscal japonesa. Para mercados globais e gestores, o novo cenário implica recalibrar carteiras e atenção reforçada à política monetária do Japão, cuja virada tem efeitos além de suas fronteiras.