Um recuo de 1 ponto percentual nos custos de empréstimos atrelados ao CDI e ao IPCA poderia acrescentar R$ 4,9 bilhões ao lucro líquido das empresas do IBrX em 2027, estima o Itaú BBA. O ganho já considera imposto de 34% sobre a economia financeira e a perda de rendimento do caixa, e equivale a 0,9% do lucro agregado de R$ 541,5 bilhões projetado pelo banco.

O levantamento aponta R$ 741,6 bilhões em dívida local líquida das companhias analisadas, divididos entre R$ 527,5 bilhões expostos ao CDI e R$ 214,1 bilhões ao IPCA. Por isso a maior parte do alívio viria do CDI: uma queda de 1 ponto adicionaria cerca de R$ 3,5 bilhões ao lucro, enquanto 1 ponto no componente IPCA somaria R$ 1,4 bilhão. Em um cenário mais intenso (3 pontos no CDI e 1,5 ponto no IPCA), o benefício sobe para R$ 12,6 bilhões.

O impacto é desigual por setor. Serviços públicos (energia e saneamento) concentram R$ 345,2 bilhões em exposição líquida e teriam um ganho estimado de R$ 2,3 bilhões, ou 4,6% do lucro do grupo — quase metade do efeito calculado para o índice. Indústria e saúde também se destacam: R$ 834,5 milhões (4,3%) e R$ 355 milhões (3,9%), respectivamente. Em contraste, setores com caixa líquido, como comunicação, podem sofrer ligeiro impacto negativo pela queda na remuneração das aplicações.

Para empresas com resultados apertados a melhora financeira pode ser decisiva: o estudo cita a Simpar (SIMH3), cuja economia estimada de R$ 302,1 milhões equivaleria a 39,5% do lucro projetado para 2027. Outras com alta sensibilidade são CSAN3, MBRF3, BEEF3, ECOR3 e Equatorial. O banco ressalta que a simulação mantém demais variáveis constantes e não é previsão de alta das ações, mas os números acendem alerta sobre a assimetria do benefício e sobre como cortes de juros redistribuem renda entre devedores e empresas com caixa.