O setor brasileiro de máquinas e equipamentos registrou queda na receita líquida em março e encerrou o primeiro trimestre de 2026 com retração de dois dígitos, segundo levantamento da Abimaq. O faturamento em março somou R$ 23,8 bilhões, recuo de 3,4% na comparação anual, enquanto o trimestre acumulou R$ 61,7 bilhões, queda de 11% ante os três primeiros meses de 2025. A associação estima um crescimento muito modesto para o ano, de 0,3%, mas com “viés de baixa”, sinalizando risco de revisão para baixo.

A dinâmica doméstica pesa sobre o resultado: a receita interna caiu 0,9% em março e 12,6% no trimestre, ao mesmo tempo em que as importações avançaram 21,4% no mês e 4,2% no acumulado do trimestre. A combinação de demanda interna fraca e maior penetração de produtos estrangeiros corrói a recuperação da indústria local. A ocupação da capacidade instalada subiu para 79,9% ante 77,6% no ano anterior, mas a carteira de pedidos mostrou sinais contraditórios — 9 semanas em março, ligeira melhora sobre fevereiro, porém queda de 1,5% ante o nível do ano passado e recuo de 5,2% no trimestre.

No comércio exterior, as exportações ficaram praticamente estáveis em março (US$ 1,03 bilhão) e cresceram 7,5% no trimestre (US$ 2,9 bilhões). As vendas aos Estados Unidos somaram US$ 709 milhões no primeiro trimestre, acima dos US$ 631 milhões do ano anterior, mas perderam ritmo em relação ao quarto trimestre de 2025, com queda de 10,5% no comparativo trimestral e retrações acentuadas em segmentos como máquinas agrícolas, componentes e equipamentos para logística e construção.

Além da fraqueza da demanda externa, o setor encara incerteza regulatória: as tarifas norte-americanas foram reduzidas para cerca de 10% após decisão judicial, mas a perspectiva de uma investigação pela Seção 301, prevista para conclusão em julho, eleva o risco de novas penalidades. Para fabricantes e formuladores de política, os números do trimestre acendem um alerta sobre perda de competitividade e a necessidade de respostas coordenadas — seja para conter avanço das importações, seja para sustentar a agenda de exportações — sem descartar repercussões políticas e econômicas mais amplas.