A estatal Saudi Aramco retomou nesta sexta (26) o carregamento de petróleo no terminal de Ras Tanura, na costa do Golfo Pérsico. O porto estava paralisado desde 8 de março, em razão das tensões que se seguiram ao conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã, iniciado em 28 de fevereiro. Fontes de transporte marítimo registraram dois navios em operação e um terceiro aguardando nas imediações.
Ras Tanura é o principal ponto de escoamento da Arábia Saudita — país que a OPEP registrou com produção próxima a 10 milhões de barris por dia em janeiro — e responde por mais de 80% das exportações carregadas, segundo dados do setor. A paralisação forçou desvios limitados para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, aumentando custos logísticos e criando apertos temporários na cadeia de abastecimento global.
A retomada alivia um gargalo imediato: reduz a necessidade de desvios e pode diminuir pressões sobre prêmios de risco no transporte e seguro marítimo. Ainda assim, o episódio expõe a dependência de um único terminal e a fragilidade da infraestrutura frente a choques geopolíticos. Para produtores, compradores e seguradoras, a lição é clara: redundância logística e planejamento de contingência passam a ter custo-benefício mais evidente.
No plano macroeconômico, a normalização de cargas tende a moderar oscilações de curto prazo nos preços internacionais do petróleo, mas não elimina a incerteza regional. Governos e mercados seguem atentos: uma nova escalada no Estreito de Ormuz ou em outros pontos estratégicos manterá prêmio de risco elevado e pode reverberar em custos de energia e pressões inflacionárias para importadores.